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27 de jan de 2014

1º TRIMESTRE DE 2014 - LIÇÃO Nº 05 - 02.02.2014 - "A TRAVESSIA DO MAR VERMELHO"

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM ENGENHOCA
NITERÓI - RJ
LIÇÃO Nº 05- DATA: 02/02/2014
TÍTULO: “A TRAVESSIA DO MAR VERMELHO”
TEXTO ÁUREO – Ex 15.2
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Ex 14.15, 19-26

PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO
e-mail: geluew@yahoo.com.br
blog: http://pastorgeraldocarneirofilho.blogspot.com/







I – INTRODUÇÃO:



A saída de Israel do Egito foi um fato histórico de repercussão extraordinária para todos os povos daquela época e de gerações futuras. O Império egípcio foi dobrado diante do Senhor Deus de Israel. Ele permitiu que Seu povo fosse oprimido por muito tempo, mas não para sempre. Caminhando sem bússula e sem mapa, o povo israelita jamais errou o caminho; Deus os guiava com Sua mão poderosa e perfeita direção. As ameaças do inimigo não foram suficientes para frustrar a marcha do povo liberto.




II – O CAMINHO MAIS LONGO:



Ex 13.17-18 – Segundo alguns estudiosos, Deus não levou o povo israelita diretamente a Canaã pelo caminho dos filisteus, porque naquela rota havia muitas fortificações de soldados egípcios. Seria o caminho mais curto. O percurso duraria questão de poucos dias. Entretanto, por ali o povo poderia arrepender-se da caminhada “vendo a guerra”, e tornar ao Egito. Isto porque, ao longo de tantos anos de vida pacata, na vida pastoril e depois como escravo, os israelitas não estavam preparados psicológica e fisicamente para a guerra. Então Deus, na Sua sabedoria, fez o povo rodear pelo “caminho do deserto, perto do mar Vermelho”. O caminho era o mais longo, mas era o escolhido por Deus.



Por que Deus conduziu o povo por um caminho diferente? Havia, pelo menos, duas razões:



A PRIMEIRA RAZÃO é que Deus queria dar uma lição final no Egito. Faraó ia ter o seu coração endurecido logo que se refizesse do choque da morte dos primogênitos e, ouvindo notícias de que o povo de Israel estava rodeando em sua caminhada, ficaria com a impressão de que o povo de Israel cairia num beco sem saída, encurralado entre o mar e o deserto, e partiria para atacá-lo e fazê-lo voltar derrotado para os trabalhos forçados no Egito. Deus, então, operaria um grande livramento – Ex 14.4.



A SEGUNDA RAZÃO é que Moisés não poderia levar o povo diretamente à Palestina, mesmo que não houvesse obstáculos a evitar, porquanto Deus ao lhe falar no Monte Horebe, ordenou-lhe que, depois de tirar o povo do Egito, o levasse àquele mesmo monte para adorá-Lo – Ex 3.12.


Muitas vezes, queremos que o Senhor nos conduza por caminhos mais curtos, quando enfrentamos lutas e dificuldades. Contudo, é melhor confiarmos no Senhor, aprendendo a conviver com as circunstâncias por Ele na Sua infinita misericórdia.




III – A PARTIDA DO EGITO:



Ex 12.37; 13.20 – O povo partiu de Ramessés para Sucote, inicialmente. A segunda fase da marcha começou em Sucote, indo até Etã, à entrada do deserto.



(1) – DEUS IA ADIANTE DE SEU POVO – Ex 13.21 – Deus não desamparou o Seu povo, nem deixou sem direção divina; indo à frente, Ele garantia a certeza de uma caminhada segura, sob Sua proteção. Durante o dia, havia a coluna de nuvem, que guiava e ao mesmo tempo protegia do excesso de calor e dos raios solares prejudiciais à saúde do povo. Durante à noite, havia uma coluna de fogo, que iluminava o caminho. Em todo o percurso naquele imenso deserto, o Senhor os guiou em segurança – Dt 8.2; 32.2; Is 53.14; Jr 2.6.



É muito importante que tenhamos a direção de Deus, ao iniciarmos qualquer empreitada. O Senhor nos ensina e nos guia; o Espírito Santo foi-nos enviado para nos consolar e ensinar todas as coisas – Is 48.17; Jo 14.26.



(2) – A PERSEGUIÇÃO DE FARAÓ – Ex 14.2, 9 – O povo já estava à entrada do deserto, quando Moisés recebeu a ordem de Deus para voltar e acampar. Essa foi uma manobra determinada pelo Senhor, a fim de manifestar mais uma vez o Seu poder diante dos egípcios. Com esse retorno, Faraó pensava que os israelitas estavam com medo de enfrentar o deserto e resolveu persegui-los. Não sabia ele, que não passava de um mortal manobrado pelo Senhor.



A exemplo de Faraó, o diabo procura perseguir aqueles que deixam o mundo, e resolvem caminhar para os céus com Jesus em suas vidas. Ameaças opressões, críticas, zombarias e até violência, são algumas das armas usadas pelo inimigo para intimidar o servo e Deus.



(3) – O DESÂNIMO DO POVO – Ex 14.10-12 – O povo, ao perceber a aproximação do exército de Faraó, com carros e cavalos, temeu e clamou ao Senhor. Essa foi uma atitude correta: Buscar o socorro dos céus. Contudo, após isso, o povo se desesperou e passou a murmurar contra Moisés, dizendo-lhe eu prefeririam ter ficado no Egito, servindo aos egípcios. Ao que parece, eles não passaram na primeira prova de fé.



O povo tendo finalmente obedecido à chamada de Deus para sair da escravidão e tão-somente servi-Lo, viu-se numa situação humanamente impossível, por ter seguido as instruções do servo de Deus. Então veio a hora de parar de debater, de se preocupar, e começar a possuir uma fé dinâmica que, embora pareça ser apenas ficar quieto, é na verdade o canal pelo qual a plenitude do poder intervém. É um exemplo de fé salvadora, que aceita a obra de Cristo e não se apoia na força humana.



A caminhada cristã assemelha-se à do povo de Israel. Uma das táticas do inimigo é a perseguição. Ela pode ocorrer no emprego, no lar, na vizinhança e, por incrível que pareça, até na Igreja. Diante disso, há uma tendência de desânimo, e muitos desejam voltar para o mundo, para a escravidão. Entretanto, Jesus pediu para perseverarmos até o fim – Mt 10.22.



(4) – A SERENIDADE E A CONFIANÇA DE MOISÉS – Ex 14.13-14 – Ante o temor e a murmuração do povo, o líder soube conduzir-se naquela ocasião difícil. Era uma multidão amedrontada, responsabilizando o homem de Deus pela situação crítica. Moisés estava passando por um teste da liderança eficaz. Vejamos sua reação:



(4.1) – MANTEVE A CALMA – Diante do desespero do povo, Moisés demonstrou tranquilidade. Essa é uma qualidade indispensável ao líder.



(4.2) – PRONUNCIOU PALAVRAS DE ENCORAJAMENTO – “Não temais, estai quietos...” – Cremos que essas palavras foram de grande valor para o ânimo do povo. Todos olhavam para Moisés, e ele, ao invés de se abalar, dava uma injeção de coragem a todos.



(4.3) – PRONUNCIOU PALAVRAS DE FÉ – “Vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará... o Senhor pelejará por vós e vos calareis” – De certo, Moisés refletiu perante o povo tanta convicção em suas palavras, que o povo ficou a esperar o resultado de tanta fé.



Ex 5.20-23 - Aquele homem que resistira a Deus quando o chamou para libertar seu povo; que questionara a Deus quando julgou ter fracassado, porque Faraó em vez de atender ao pedido em nome de Deus, sobrecarregara ainda mais o povo de trabalho forçado; e que quis desistir da missão, agora é o homem sereno e confiante, o homem de fé. Ele podia não saber que tipo de livramento Deus operaria, mas tinha certeza de que Ele ia destruir aquela força inimiga.



Que Deus nos ajude a termos líderes que inspirem confiança e fé nestes dias de tanto desânimo e descrença.




IV – A PASSAGEM PELO MAR VERMELHO:



O homem de Deus, que vira o Senhor operar tantas maravilhas no Egito, agora via diante de si e do povo o maior obstáculo natural à viagem para Canaã. Momentos antes, pela fé, ele afirmara que Deus daria o livramento necessário. Moisés não esperou para ver, mas creu antes de o fato acontecer, referindo-se, inclusive, à ruína do exército egípcio.



(1) – OBSTÁCULO NA CAMINHADA – A multidão de cerca de 600.000 homens de guerra, mais suas famílias, compunha um total de aproximadamente dois milhões de pessoas. Todos diante do mar Vermelho, tendo no seu encalço, o exército de Faraó. Era uma situação muito difícil.



Na vida cristã há momentos em que parece não haver solução para os problemas. Mas todas as coisas contribuem para o bem dos que são chamados por Deus – Rm 8.28.



(2) – DEUS MANDA IR EM FRENTE – Ex 14.15-17 – Diante da fé demonstrada por Moisés, o Senhor ordenou que o povo marchasse pelo mar, em seco. Moisés levantou a vara e o mar se abriu em duas partes, enquanto o povo caminhava a pé enxuto.



Certos críticos dizem que foi um fenômeno natural; que ali havia uma parte rasa com um palmo de água. Eles só não sabem explicar como o exército de Faraó afogou-se naquela pouquíssima quantidade de água.



(3) – O ANJO DE DEUS GUIA O POVO – Ex 14.9 – O anjo, que ia à frente, passou para a retaguarda, para defender o povo do ataque inimigo. A estratégia divina é desconcertante para o inimigo – Is 59.19 – A coluna de nuvem passou para a retaguarda, onde estava o perigo. Para Israel, a nuvem iluminava; para os egípcios, era escuridão – Ex 14.20 – As coisas de Deus sempre se tornam em confusão e escuridade para os ímpios, mas luz, alegria e vitória para os fiéis.



Durante toda a marcha, o chão estava seco, um muro de água à direita e à esquerda do povo. Isso nos fala da proteção total do nosso Deus. Seu anjo acampa-se e nos guarda – Sl 34.7.






V – O CÂNTICO DE MOISÉS:



Ex 15.1-21 - Moisés, instruído também na poesia egípcia, revelando forte sensibilidade poética e inspirado por Deus, compôs este cântico para comemoração do feito, onde Deus é exaltado de maneira reverente e arrebatada.



Era um momento de regozijo nacional, depois de verificar notavelmente a salvação de Deus. No Egito, somente gemido, lamentações e orações. Mas, naquele momento, chegou o tempo de vitória e cânticos de louvor a Deus.



O cântico é dividido em duas partes:



(1) – A primeira parte é RETROATIVA – Ex 15.1-12 – Celebra o recente livramento e subdivide-se em três estrofes:



(1.1) – NA PRIMEIRA ESTROFE – Ex 15.1-5 – Moisés canta a salvação de Jeová graciosamente concedida na travessia do Mar Vermelho.



(1.2) – NA SEGUNDA ESTROFE – Ex 15.6-10 – Moisés canta o poder de Jeová sobre a natureza.



(1.3) – NA TERCEIRA ESTROFE – Ex 15.11-12 – Moisés celebra as glórias e o poder de Jeová.



(2) – A segunda parte é PROSPECTIVA – Ex 15.13-18 – Descrevendo por antecipação os efeitos que tão grande milagre iria produzir em tempos futuros em vários povos, para divulgação do nome de Deus e de Seu poder, exaltando-o acima de todos os deuses.



Em resumo: Por meio do cântico de Moisés...:



(A) – Aprendemos que Deus é força no dia da batalha; cântico na vitória; salvação sempre. Ele é o Deus de nossos pais e o nosso próprio Deus; é o poderoso Defensor do Seu povo.



(B) – Descobrimos o que Deus é para os Seus inimigos: Foram submersos pelas águas da destruição. Assim como o espinheiro nunca conseguirá derrotar o fogo, assim o homem não conseguirá ganhar a sua luta contra Deus.



(C) – Aprendemos o que Deus faz com os Seus amigos: Com Seu poder conduz até o destino final àqueles que resgatou; Ele os faz sair; Ele os faz entrar; Ele os estabelece no lugar que lhes tem preparado. Peçamos-Lhe que faça isso por nós, pois somente Ele, que nos tirou do Egito, pode levar-nos à Canaã celestial.



O louvor é belo!



O cristão pode considerar todos os seus inimigos mortos quando ele não é mais assaltado pela tentação. Porém, se o conflito ainda continua, a vitória pode ser constante pela graça de Deus e pela salvação que há em Cristo Jesus.




VI - CONSIDERAÇÕES FINAIS:



A batalha foi renhida, mas a vitória já estava garantida. Após sentir quão pesada é a mão de Deus, resolveu Faraó permitir a saída dos filhos de Israel. A presença destes só iria piorar as precárias condições do poderoso império do Nilo. Por que deter por mais tempo os pequeninos de Jeová? Deus está no comando de todos os negócios humanos e, segundo os Seus sábios desígnios, vai o plano da salvação sendo esboçado de maneira mais do que maravilhosa. Portanto, podemos depositar toda a confiança no grande EU SOU. Amém.

FONTES DE CONSULTA:

Lições Bíblicas CPAD – 4º Trimestre de 1991 – Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima.
A Bíblia Livro por Livro – JUERP – Delcyr de Souza Lima
A Bíblia Vida Nova
A Bíblia Explicada – CPAD – S. E. McNair
Estudo No Livro de Êxodo – JUERP – Antônio Neves de Mesquita
Comentário Bíblico Devocional do Velho Testamento – Editora Betânia – F. B. Meyer

21 de jan de 2014

1º TRIMESTRE DE 2014 - LIÇÃO Nº 04 - 26/01/2014 - "A CELEBRAÇÃO DA PRIMEIRA PÁSCOA"

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM ENGENHOCA
NITERÓI - RJ
LIÇÃO Nº 04- DATA: 26/01/2014
TÍTULO: “A CELEBRAÇÃO DA PRIMEIRA PÁSCOA”
TEXTO ÁUREO – I Cor 5.7b
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Ex 12.1-11

PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO
e-mail: geluew@yahoo.com.br
blog: http://pastorgeraldocarneirofilho.blogspot.com/







I – INTRODUÇÃO:



A Páscoa era uma oportunidade para os israelitas descansarem, festejarem e adorarem a Deus por tão grande livramento, que foi a sua libertação e saída do Egito. Hoje, o nosso Cordeiro Pascal é Cristo. Ele morreu para trazer redenção aos judeus e gentios. Cristo nos livrou da escravidão do pecado e da condenação eterna. Exaltemos ao Senhor diariamente por tão grande salvação. 






II – UMA NOVA ERA PARA ISRAEL:



Depois de tantos juízos derramados sobre o Egito, o Senhor Deus colocou um ponto final na longa noite do sofrimento do povo escolhido. Chamando Moisés e Arão, Deus lhes falou sobre a instituição da Páscoa.



Ex 12.2 – UM NOVO CALENDÁRIO – De acordo com o ano civil, Israel estaria no sétimo mês do ano, o mês de Tisri. Entretanto, na saída do Egito, o Senhor determinou nova contagem dos tempos, considerando o início dos meses do ano, a contar daquele dia em que haveriam de serem libertos. O ano sagrado, decretado na Páscoa, passou a começar no mês de Abibe (correspondente à parte de março e à parte de abril do nosso calendário). Uma nova era raiou para Israel. Da mesma forma, quando, nos dias atuais, alguém alcança a salvação em Cristo, começa uma nova vida – II Cor 5.17; Ez 11.19; Ef 4.24; Hb 10.20.


Mais tarde, o mês de Abibe passou a se chamar Nisã.




III – SIGNIFICADOS DA PÁSCOA:



A palavra portuguesa “PÁSCOA” é usada para designar a festa dos judeus que, no hebraico é chamada “PASACH”, isto é, “PASSAR POR CIMA”, “PASSAR POR SOBRE”. Esse nome surgiu em face da tradição de que o anjo da morte, ou anjo destruidor, “passou por sobre” as casas assinaladas com o sangue do cordeiro pascal, quando ele matou os primogênitos dos egípcios (Ex 12.21 e ss). Essa foi a última das pragas que se tornaram necessárias para convencer o Faraó de permitir que Israel saísse do Egito, após séculos de escravidão naquele País. Portanto, a páscoa assumiu o sentido de livramento e o próprio êxodo foi a concretização dessa libertação.



A páscoa tem, pelo menos, três significados. Vejamos:



(1) – SACRIFÍCIO EM SUBSTITUIÇÃO AO PRIMOGÊNITO – Deus mandou sacrificar um cordeiro ou um cabrito macho, de um ano, sem defeito, sem manchas, e assá-lo para ser comido com pães ázimos e ervas amargas pelas famílias. O sangue dele, entretanto, tinha que ser aspergido nos umbrais e vergas das portas, e dessa forma serviria de sinal ao anjo da destruição que, ao vê-lo, não mataria o primogênito, mas passaria por cima. Em cada casa o cordeiro sacrificado tomou o lugar do primogênito, resgatando sua vida.



Embora a palavra “páscoa” designe a cerimônia por inteiro, aplica-se, especificamente, ao cordeiro do sacrifício, que é o símbolo do sacrifício de Cristo, o Cordeiro de Deus (Apc 13.8; I Pe 1.18-19 cf I Cor 5.7). A páscoa foi, em todos os sentidos, um sacrifício, e não meramente isso, mas um sacrifício de substituição. O cordeiro pascal haveria de morrer, em cada casa, em lugar do primogênito, assim como Cristo foi sacrificado por nós.



(2) – SANTIFICAÇÃO E CONSAGRAÇÃO DO POVO DE DEUS – Ao instituir a páscoa, Deus lhe acrescentou logo a seguir a festa dos pães ázimos. Junto com a páscoa, passaria ela a formar um todo, um memorial a ser comemorado perpetuamente, como memorial da libertação do Egito (Ex 12.14-20).



Pães ázimos são os pães sem fermento, e eram usados nessa comemoração para simbolizar que o povo de Israel, uma vez libertado do Egito, deveria viver sem o fermento, ou influência, das impurezas do Egito, como a idolatria, a magia e os costumes depravados: teriam de viver como povo separado e consagrado a Deus.



Em Ex 13.2 encontra-se a ordem de Deus para que todo o primogênito do povo fosse consagrado a ele. O sentido é claro: Deus “passa por cima”, ao ver o sangue do cordeiro, poupa, livra, perdoa, salva os primogênitos da morte, para que eles fiquem pertencendo a Ele, porque tem um propósito santo para o povo que estava formando: O advento do Evangelho da redenção em Cristo, estabelecido simbólica e profeticamente na páscoa.



(3) – INICIAÇÃO DO POVO DE ISRAEL COMO NAÇÃO ORGANIZADA PARA OS PROPÓSITOS DE DEUS – Foi a páscoa que assinalou esse início. Deus a colocou como marco memorial desse começo, ao ordenar que fosse fixado o mês de abibe (que significa “espigas verdes”) como novo começo de contagem do tempo. Antes, o povo marcava o início do ano com o mês de “tizri”; agora, a partir da grande libertação, a contagem começaria com o mês da libertação – Ex 12.2.




IV – ELEMENTOS DA PÁSCOA:



Os elementos que compunham a páscoa são:



(1) – UM CORDEIRO OU UM CABRITO PERFEITO – Ex 12.3-8 – Cada família deveria escolher um cordeiro ou um cabrito, no dia 10 do mês de abibe, que fosse macho, sem mancha, sem defeito, de um ano de idade. Ele ficaria guardado durante quatro dias e, no dia 14, seria sacrificado, assado e comido pela família. Esse animal perfeito em tudo e de um ano, é representativo de Jesus, em tudo perfeito, e jovem-adulto (nem criança, nem velho), que Deus enviaria, na plenitude dos tempos para dar a vida em resgate dos pecadores (Gl 4.4). O sangue do cordeiro, aspergido nos umbrais das portas para remissão, era símbolo do sangue de Cristo, pelo qual fomos redimidos para salvação eterna.



(2) – PÃES ÁZIMOS (SEM FERMENTO) – Isso para simbolizar que o povo estava sendo libertado para viver sem o fermento do pecado e do mundo, que o povo devia deixar para trás não somente o Egito e a escravidão, mas também toda a influência de idolatria, de cultos e magia, e de costumes condenáveis, para se santificar e consagrar ao Senhor - Sl 139.23-24.



Para nós, significa que para nos apropriarmos de Cristo, precisamos estar despojados do fermento dos fariseus, que é sua doutrina, bem como dos pecados da velha vida, sem o fermento da malícia e da maldade – Mt 16.6; I Cor 5.7-8.



(3) – ERVAS AMARGAS – Segundo estudiosos, tais ervas seriam alface, escarola, chicória, serpentária, hortelã e dente-de-leão, entre outras. Ao comerem a páscoa, esses ingredientes relembrariam a amargura sofrida no Egito. Serviam para chamar a atenção dos participantes para o amargor da vida em cativeiro, de que o Senhor os estava livrando, para que nunca mais quisessem voltar atrás.



Para nós, significa o arrependimento dos pecados muitas vezes amargo para a natureza humana, mas indispensável para servir a Cristo. Ele provou o cálice amargo por nós, e, por isso, temos de sofrer alguma amargura - Hb 12.11.




V – AS CARACTERÍSTICAS DO CORDEIRO PASCAL:



(1) – SEM MANCHA – Não era apenas um capricho ou gosto estético. Deveria ser assim, pois aquele animal representava Cristo, imaculado e incontaminado – I Pe 1.19.



Não era o fato de o cordeiro ser imaculado que selava o povo de Israel. Não é a vida sem pecado de Cristo que nos salva, mas a Sua morte na cruz - Hb 9.22, 28; Is 53.6;  I Jo 1.7; Apc 1.5.



(2) – UM MACHO DE UM ANO – Poderia ser um cordeiro ou um cabrito. O fato de ser requerido que o animal fosse de um ano estava em vista a sua inocência. Nesse aspecto, representava Cristo, que foi entregue por nós, sendo totalmente inocente quanto à culpa pelos nossos pecados – Mt 27.4a.



(3) – GUARDADO ATÉ O 14º DIA – Ex 12.3, 6 – O cordeiro deveria ser tomado no décimo dia do mês de abie e guardado até o décimo quarto dia, em observação pela família que o iria sacrificar. Jesus, como Cordeiro de Deus, também foi examinado pelos que o crucificaram, e nele não se achou falta alguma – Lc 23.4.



Jesus, cumprindo rigorosamente esta profecia tipológica, entrou em Jerusalém quatro dias antes da Páscoa.



(4) – A MORTE DO CORDEIRO – Ex 12.6 – O cordeiro era morto em todas as casas à tarde. O tempo em que o cordeiro era sacrificado (segundo estudiosos do V.T.), ocorria entre 15 e 17 horas (por-do-sol). Jesus, nosso Cordeiro, foi morto entre a hora nona (horário judaico que corresponde às 15 horas do horário romano) e o por-do-sol – Mt 27.46, 57.



(5) – O SANGUE DO CORDEIRO – Ex 12.7 – Não era desperdiçado. Tinha grande valor e significado para os israelitas. O sangue deveria ser posto sobre ambas as ombreiras (partes verticais da porta) e na verga (parte horizontal, sobre as ombreiras). Nessas partes, o sangue seria visto por todos. Não seria posto na soleira, evitando, assim, ser pisado. Por esse sangue eles seriam salvos, quando da passagem do anjo da morte (Ex 12.23). Da mesma forma, é pelo sangue de Cristo sobre nós que somos salvos da ira de Deus – Rm 5.9.



Não é bastante que o cordeiro seja morto. O sangue era suficiente, mas não tinha valor, se não fosse aplicado - Ex 12.22 cf Jo 1.12.



Para aqueles que não se apropriam do sangue de Jesus, de nada vale o sacrifício expiatória do Calvário. A salvação é para todos, mas é necessário que cada um se aproprie dela através do sangue de Jesus.



(6) – A CARNE ASSADA NO FOGO – Ex 12.8 – Em todo procedimento da celebração da páscoa, vemos um tipo de Cristo. A carne assada no fogo, representa o fogo da ira de Deus que Jesus suportou em nosso lugar, a ponto de ser abandonado na cruz – Mt 27.46.



Depois que o sangue era vertido e aspergido, vinha a orientação sobre o modo de comer o cordeiro. Assim acontece conosco: A salvação primeiro, depois o alimento, ou seja, comunhão, adoração, vida cristã e serviço.



O alimento não salvava os israelitas, mas o sangue; em seguida, vinha o alimento - Jo 6.54-58.



O cordeiro não devia ser comido cru, ou sem ser cozido, seria um cordeiro sofredor que passou pelo fogo. Nada devia ser deixado, mas comido às pressas, sem nada sobrar. Nenhum osso devia ser quebrado! O corpo de Cristo foi crucificado, porém os Seus ossos não foram quebrados - Sl 34.20; Jo 19.36.  




VI - COMO REALIZAR A PÁSCOA:



(1) – CADA FAMÍLIA TERIA O SEU PRÓPRIO CORDEIRO – Se, entretanto, fosse pequeno, se uniria a outra família, calculada a proporção da comida. Nesse procedimento havia união, confraternização, solidariedade e economia. Um povo que estava para entrar no deserto, rumo à terra prometida, não podia desperdiçar comida.



(2) – A ceia devia ser comida estando todos de pé, calçados e tendo seus cajados à mão, prontos para uma saída repentina.



(3) – Deviam ter as roupas presas ao corpo por cintos. As vastas e esvoaçantes roupas, conforme o costume, seriam um estorvo para a caminhada apressada que teria de fazer. O crente em sua caminhada cristã, não deve ser embaraçado por ideias soltas e esvoaçantes, mas estar cingido pela verdade. É a verdade da Palavra de Deus que arruma, e prende suas ideias, para que ande fielmente, e não seguindo ventos de doutrinas – Ef 6.14.



Na maneira de comer a páscoa havia um sentido de alerta, prontidão, e de pressa, porque, à meia-noite daquele dia, o anjo da destruição passaria para matar os primogênitos egípcios, e logo depois, aturdidos pelo horror, viriam oferecendo-lhes dádivas valiosas, e suplicando que novamente o Faraó se recompusesse, e de novo endurecesse o coração. A dor imensurável foi uma porta aberta pela qual o povo escapou. Mas, poderia logo fechar-se de novo.



Em resumo: Deviam comer a páscoa em pé: Tudo pronto para a viagem, para a saída, sem saber para onde iam.




VII – PERPETUAÇÃO DA PÁSCOA:



A ceia da páscoa devia instituir-se como memorial, para lembrar a todas as gerações a libertação que Deus operou – Ex 12.14. A partir da primeira ceia e da libertação, as famílias do povo de Israel, anualmente, se reuniriam para repeti-la. E, após a ceia, durante sete dias, ficariam comemorando a festa dos ázimos, como uma repetição a martelar na lembrança que precisavam permanecer sem o fermento do mundo. Quando os filhos perguntassem sobre o porque da festa, os pais lhe explicariam como Deus, com mão poderosa, remiu o povo, tirando-o do Egito – Ex 12.26-27.



Deus estava preparando um povo santo, para Seus propósitos. Para revelar Sua Palavra através dEle, e para na plenitude dos tempos enviar o Seu Filho Unigênito. A páscoa e a festa dos ázimos seriam os dois memoriais a lembrar ao povo, perpetuamente:



(A) – Que Deus os libertou da escravidão com mão forte e com maravilhas; e



(B) – Que, uma vez libertados, deviam viver como povo sem o fermento das maldades dos outros povos, consagrado ao Senhor.




VIII – A PÁSCOA E A SANTA CEIA:



Ex 12.15 – No dia da libertação, tudo foi feito apressadamente. Entretanto, para as gerações futuras, o Senhor determinou que a festa tivesse a duração de sete dias. Evidentemente isso só poderia ser feito posteriormente, após o êxodo do Egito.



Mt 26.17-18 - A Santa Ceia não dura sete dias. Jesus só participou do primeiro dia da Páscoa ou da festa dos pães asmos. Tudo foi preparado conforme o rito judaico. Jesus indicou aos discípulos o local em que deveriam celebrar a páscoa, e eles fizeram tudo conforme o Senhor ordenara. À tarde, conforme o mandamento, o Mestre comeu o cordeiro pascal com os Seus discípulos, com todos os ingredientes previstos na Lei. No entanto, Jesus instituiu nova ordenança. Observemos:



(1) – TOMOU O PÃO – Mt 26.26 – Tomando o pão, enquanto comiam, o Senhor o abençoou, o partiu e o deu aos discípulos. Na páscoa propriamente dita, o cordeiro estava ali sobre a mesa. Era um tipo de Cristo.



Na santa ceia, quem estava presente era o antítipo, o próprio Cristo. Ora, se o antítipo se apresentou, não mais seria necessário o tipo. O símbolo foi substituído pela realidade. Cristo é a nossa páscoa. O cordeiro, como animal, não precisa ser imolado, pois o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, já se manifestou (I Cor 5.7 cf I Jo 3.8).



Jesus mandou que o pão fosse comido em memória dEle (Lc 22.19), e não mais o cordeiro em memória da saída do Egito. Agora, devemos celebrar a libertação do pecado, do mundo e de satanás. Para tanto, todos os que O recebem como Salvador e Senhor, tem esse direito, quer seja judeu ou gentio.



(2) – TOMOU O CÁLICE – Mt 26.27-29 cf Lc 22.20 – De modo semelhante, Jesus tomou o cálice do fruto da vide e disse que era o Sangue do Novo Testamento, ou seja, Nova Aliança, para a remissão dos pecados, e que deveria ser tomado em Sua memória – I Cor 11.25.



A Santa Ceia aponta para o passado, como um memorial da morte de Cristo e também para o futuro, anunciando a Sua vinda – I Cor 11.26.



As Igrejas de Cristo não comemoram páscoa. Não há por que fazê-lo. O Senhor Jesus, ao instituir a ceia para os Seus discípulos, substituiu a páscoa por aquela (santa ceia). As verdades contidas na páscoa, simbólica e provisoriamente, foram incorporadas definitivamente na ceia: O Cordeiro de Deus foi sacrificado na cruz, e Seu sangue resgatou do pecado e, agora, somos Seu povo. Na santa ceia, comemora-se o corpo de Cristo dado por nós e o Seu sangue por nós derramado, no qual temos a redenção. Nada de páscoa. Nós comemoramos nossa redenção pelo sangue do Cordeiro de Deus, na ceia do Senhor.




IX - A PÁSCOA E O EVANGELHO DE CRISTO:



Tudo o que Deus fez tinha um sentido histórico imediato, mas também um sentido de simbologia profética do que, pela Sua providência, estava preparando para a salvação dos pecadores e formação de um novo povo, constituído somente por redimidos por Jesus. Em tudo está presente, por antecipação, o Evangelho: Deus nos libertou do reino das trevas, do pecado, da condenação, e fez de nós o Seu povo eterno; e nós, redimidos, nos santificamos, separamo-nos do fermento do mundo, para vivermos em novidade de vida, para glorificação do Seu nome – Cl 1.13.



Tanto os egípcios como os hebreus eram pecadores. O que os distinguiu foi a fé, através da qual Deus redimiu Seu povo. Pela fé, Moisés comemorou a páscoa; pela fé, as família confiaram no sangue do cordeiro; pela fé, ninguém ousou sair de casa e expor-se, sem a proteção dele; pela fé, fizeram tudo quanto lhes foi mandado, estando prontos para saírem para a liberdade. Eis a essência do Evangelho. É pela fé que o pecador é perdoado, justificado, regenerado, adotado como filho de Deus, e recebe a vida eterna – Hb 11.28 cf Ef 2.8.




X – CONSIDERAÇÕES FINAIS:



A fé é o grande elemento espiritual presente na páscoa e no Evangelho, este último simbolizado naquela. Agora, comparemos a tradicional festa da páscoa com ovos de chocolate, coelhinhos, e não se sabe mais o que, e vejamos se essas comemorações tem alguma coisa a ver com a santa e poderosa Palavra de Deus, com a páscoa da redenção. E porque havemos de imitar o mundo?


FONTES DE CONSULTA:

Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia – Candeia – R. N. Champlim e J. N. Bentes
A Bíblia Livro por Livro – JUERP – Delcyr de Souza Lima
Lições Bíblicas – CPAD – 4º Trimestre de 1991 – Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima
O Tabernáculo e a Igreja – CPAD – Abraão de Almeida