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28 de fev de 2014

1º TRIMESTRE DE 2014 - LIÇÃO Nº 10 - 09.03.2014 - "AS LEIS CIVIS ENTREGUES POR MOISÉS AOS ISRAELITAS"

PREZADOS IRMÃOS EM CRISTO JESUS. A PAZ DO SENHOR PARA TODOS. POR MOTIVO DE VIAGEM DURANTE ESTES DIAS DE CARNAVAL, E UMA VEZ QUE FICAREI SEM TER ACESSO À INTERNET, JÁ ESTOU ANTECIPANDO LOGO ABAIXO A AULA DO DIA 09.03.2014. PARA TER ACESSO À AULA ANTERIOR (DO DIA 02.03.2014), BASTA CLICAR NAS OPÇÕES CONSTANTES NO LADO DIREITO DO SEU VÍDEO. DESEJO A TODOS UM EXCELENTE FERIADO, SOB A PAZ DE DEUS. AMÉM.




ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM ENGENHOCA
NITERÓI - RJ
LIÇÃO Nº 10- DATA: 09/03/2014
TÍTULO: “AS LEIS CIVIS ENTREGUES POR MOISÉS AOS ISRAELITAS”
TEXTO ÁUREO – Sl 94.15
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Ex 21.1-12
PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO
e-mail: geluew@yahoo.com.br
blog: http://pastorgeraldocarneirofilho.blogspot.com/









I – INTRODUÇÃO:




Êxodo 20.22 até 23.33 é mencionado como Livro do Pacto. Isto porque ele continha todo o código legal, que é parte integrante do pacto celebrado no Sinai. Desta forma, podemos indicar um relacionamento entre o Livro do Pacto e o Decálogo, ou seja, o Livro do Pacto foi o instrumento legal para a observância do relacionamento pactual exigido por meio dos Dez Mandamentos.





II – DESDOBRAMENTOS DO LIVRO DO PACTO OU DA ALIANÇA OU DO CONCERTO:




Em virtude da incapacidade do povo hebreu compreender os Dez Mandamentos, Deus mesmo desdobrou os ensinos neles contidos, dando-lhes uma forma prática e acessível a todas as inteligências. Vejamos:




O Decálogo divide-se em duas partes:




(1ª) – A primeira parte ou a primeira tábua trata dos deveres do homem para com Deus. Neste sentido, é tanto lei moral como cerimonial, porque é por meio dela que se descobre a santidade divina e que nenhum homem pode ter com o Divino Criador comunhão direta. Daí a necessidade de manter esta mesma comunhão, mas por meio de sacrifícios. Deus deu os meios necessários para que o homem mantivesse comunhão com Ele na lei do altar ou cerimonial.




(2ª) – A segunda parte da Lei ou segunda tábua trata dos deveres do homem para com o homem. É a lei moral tanto da pessoa e de sua santidade, como a propriedade.




Assim, a lei do altar, com o seu emblema Santidade a Jeová, a lei da pessoa com a ordem “Não Matarás”, e a lei da propriedade “Não Furtarás”, encontram-se perfeitamente resumidas no Decálogo.




Não há, portanto, três ou quatro leis, mas uma só, consubstanciada no Decálogo e desdobrada na legislação seguinte.




(1) - LEIS CONCERNENTES AOS ESCRAVOS HEBREUS - Ex 21.1-11 – Adquirir escravos através de meios aceitos, como a guerra ou dívidas, era usado em Israel. É significativo que Israel propiciava salvaguardas legais para proteger o escravo, tanto quanto a população livre.




(1.1) – A PROTEÇÃO DO LAR – Ex 21.1-6 – Estatutos eram as decisões mais frequentemente transmitidas pelo juiz e catalogadas para orientação das gerações futuras.




Embora Deus não abolisse imediatamente males tais como a escravidão ou a poligamia em Israel , Ele regulamentou-os, tornando-os mais humanitários – Lv 25.39-40; Dt 15.12-18 -. Por um lado, tais práticas nada tinham com o padrão de Deus. Ele as permitiu por algum tempo por causa da dureza do coração humano – Mt 19.8; Gn 29.28.




Essas leis de Deus sobre a escravidão sobre a escravidão eram muito mais humanitárias do que os costumes das nações de então, em derredor de Israel. Porém, no N.T. Deus apresenta um padrão muito mais elevado – Jo 13.14; Cl 3.22.




O objetivo desta coleção de estatutos era a proteção da casa, um direito que até incluía o escravo. O seu casamento era protegido de forma que se ele tivesse entrado na escravidão no estado civil de casado, não podia ser separado de sua esposa, quando fosse libertado – Ex 21.3.




(1.2) – PROTEÇÃO DA ESCRAVA – Ex 21.7-11 – A expressão “escrava” pode significar serva no sentido literal, mas também podia aplicar-se à concubina, e foi usada especificamente em relação a Agar, serva de Sara (Gn 20.17; 16.2).




Por causa do papel secundário e frequentemente desprotegido da mulher, no mundo antigo, é de especial importância o fato de o V.T. dar orientação específica para os juristas israelitas, que tomavam decisões em relação às escravas. Essa compaixão específica por aquelas que normalmente estavam fora da área de interesse direto é uma marca do profundo conteúdo moral que caracteriza a lei israelita.




(2) – LEIS CONCERNENTES ÀS OFENSAS CAPITAIS – Ex 21.12-17 – Estes versículos mencionam quatro crimes, aos quais Deus sentenciou à pena de morte. Esta penalidade demonstra a importância que Deus atribui ao relacionamento correto entre as pessoas (homicídio e sequestro) e ao relacionamento apropriado na família (tratamento aos pais).




(2.1) – O HOMICÍDIO PREMEDITADO – Ex 21.12-14 – Referia-se ao fato de ferir alguém com raiva, maldade, ciúmes, ódio ou desejo de vingança.




A classificação do ato de ferir um homem “de modo que este morra” como homicídio premeditado, é baseada no fato de que, embora o verso 13 propicie um lugar de refúgio para o homicídio involuntário, nenhum refúgio era previsto para esta ação.




Ex 21.13 - Isto não proibia o ferimento de alguém até a morte no cumprimento da justiça por crimes cuja punição é a morte; nem proíbe que se fira homens em tempos de guerra, pois estes dois atos eram ordenados por Deus – Nm 25.17; Dt 7.2; 13.15; 20.13.




Se um homem não intentasse ou tentasse matar o outro, mas o fizesse por acidente, então ele tinha permissão para fugir para a cidade de refúgio. De acordo com o costume antigo, o parente mais próximo poderia vingar seu irmão, caso ele fosse morto. Tal parente era chamado de “o vingador de sangue” – Nm 35.12; Dt 19.6, 12; Js 20.3-9.




Na cidade de refúgio aquele que havia matado um homem acidentalmente, podia viver com segurança até o caso ser levado aos juízes para ser decidido por eles – Nm 35; Dt 4.41-49; 19.1-13.




Ex 21.14 - Se homem propositalmente matasse outro homem por engano e estratagema, ele incorria na pena de morte.




Antes de as cidades de refúgio serem escolhidas, e mesmo depois, o altar de Deus era um lugar de refúgio – I Rs 1.50-53; 2.28-29.




(2.2) – ASSASSINATO DOS PAIS – Ex 21.15 – A legislação posterior corroborou esta, cominando pena de morte para um filho incorrigível – Dt 21.18-23.




Esta passagem é um bom exemplo da maneira como um intérprete da Bíblia deve distinguir entre um costume cultural temporário (matar um filho por ter assassinado o seu pai) e a palavra divina (ordem e respeito devem ser mantidos no lar).




(2.3) – ROUBO DE HOMENS – Ex 21.17 cf Dt 24.7 – O que roubasse um homem para o vender seria morto, e aquele em cujo poder fosse achado, seria  morto.




Até o dia de hoje há o costume de roubar homens e mulheres para serem vendidos nos mercados. O caso de José foi um destes.




Roubar um homem e vendê-lo como escravo era comum naquele tempo, mas a lei mosaica declarou a vida inviolável e todo aquele que roubasse um homem ou mulher seria morto.




(2.4) – MALDIÇÃO DOS PAIS – Ex 21.17 – De acordo com os padrões de pensamento do mundo antigo, a maldição era um meio eficiente e poderoso de liberar forças hostis e talvez demoníacas contra uma pessoa, e não simplesmente um sinônimo de graça ou imprecação moderna – Dt 27.15-16. Qualquer pessoa que liberasse forças malignas contra os seus pais, devia ser executada.




(3) – LEIS CONCERNENTES À INJÚRIAS CORPORAIS: CRIMES NÃO-CAPITAIS ENVOLVENDO GOLPES E FERIMENTOS – Ex 21.18-32 – Os juristas que se sucederam indubitavelmente enfrentaram numerosas oportunidades em que tiveram que tomar decisões específicas não encontradas nesta passagem, mas, através dos exemplos sucintos citados aqui, era mais provável que eles conseguissem chegar a uma decisão justa em consonância com o espírito da legislação específica.




(3.1) – BRIGA ENTRE ISRAELITAS – Ex 21.18-19 – Se um homem morresse em uma briga, o assassino deveria morrer – Ex 21.12. Porém, se ele só se ferisse, aquele que o feriu deveria arcar com todas as despesas para sua cura, incluindo pagar o tempo que ele perdeu no trabalho – Ex 21.18-19. Já no caso do ferido morrer, seria morto também o agressor.




(3.2) – ESPANCAMENTO DE UM ESCRAVO - Ex 21.20-21 – A palavra “castigar” significa “vingar”, “tomar vingança”. A probabilidade é de que vingança devia ser tomada do proprietário por parte do clã, ou família do escravo morto, ou pela atribuição de uma penalidade pelo oficial adequado na comunidade.




Nem mesmo a vida de um escravo podia ser tirada com impunidade. Esta passagem, na verdade, expressa uma distinção entre o homem livre e um escravo, no fato de que o espancamento intencional e fatal de um homem livre era punível com a morte. No caso do escravo, porém, a lei faz apenas a declaração vaga de que seria exercida vingança.




(3.3) – FERIMENTOS DURANTE A GRAVIDEZ – Ex 21.22-25 – Deus, além de exigir a proteção de pessoas viventes, também exigia a proteção de crianças ainda por nascer.




Ex 21.21 refere-se a uma mulher dando a luz a criança prematura por causa de violência cometida contra a gestante. Se isso acontecesse, quem causasse o aborto tinha que pagar uma multa.




Se houvesse lesões graves na mãe ou no filho, o culpado teria que pagar segundo a lei da retaliação. Note que se a violência causasse a morte da mãe ou do filho, o transgressor seria réu de homicídio e teria que pagar com a própria vida – Ex 21.23 -. Noutras palavras, o nascituro é considerado neste texto bíblico como um ser humano: provocar a morte desse feto é considerado assassinato.




Devemos notar também que essa é a única circunstância em que a lei exige a pena de morte por homicídio acidental – Dt 19.4-10 -. O princípio está claro: Deus procura proteger aqueles que tem menos condições de se protegerem, isto é, os que ainda estão por nascer.




(3.4) – ABUSOS FÍSICOS DE ESCRAVOS – Ex 21.26-27 – A perda de um olho ou um dente, por causa dos abusos do senhor de escravos, justificava a libertação destes.




Esse tipo de lei fez com que o senhor impiedoso de um servo fosse mais humano e temesse perder a ajuda do valioso servo em seus negócios. Os escravos feridos estavam, portanto, livres para voltar para sua antiga casa ou até para deixar a terra, se este fosse o seu desejo.




(3.5) – QUANTO A SER ESCORNEADO POR UM BOI – Ex 21.28-32 – Em todo o Oriente Próximo antigo atribuía-se a responsabilidade ao possuidor do boi e do mesmo modo ao fazer-se distinção entre a escorneada acidental e os ferimentos ocasionados por um animal que se sabia ser perigoso.




Ex 21.28 - Em virtude de ter-se tornado culpado de sangue (tal como um ser humano), o boi deveria ser apedrejado. É por isso que sua carne não podia ser comida. Não se trata simplesmente de punir o dono com prejuízo financeiro da carne, que não podia ser vendida no mercado.




Ex 21.29 – A punição ministrada aos descuidados demonstra exatidão, fazendo mais uma vez distinção entre o inocente e o culpado, ao invés da culpa do sangue automaticamente declarada em dias anteriores a Moisés.




Ex 21.32 – Resgate e redenção são palavras importantes para uma posterior teologia da salvação. Ambas são usadas aqui em seu sentido estritamente literal, aplicando-se ao homem culpado de homicídio culposo mas não de assassinato.




Ex 21.32 – No caso de um liberto, os parentes podiam concordar em aceitar o preço de sangue; no caso de escravo, tem de fazê-lo. Esta é uma das poucas diferenças entre o escravo e o liberto existentes em Israel.




Fosse o escravo ou o liberto morto a chifrada, o boi se tornaria culpado do sangue e sua carne não poderia ser comida. Em Israel o escravo era considerado um ser humano; seu sangue provocaria a culpa do sangue, como o de qualquer outro homem. 




(4) – DIREITOS DE PROPRIEDADE: COMPENSAÇÃO E INDENIZAÇÃO – Ex 21.33 – 22.17 – Os direitos da propriedade decorrem naturalmente dos direitos da pessoa. Estas leis se referem a prejuízos causados por descuido; prejuízos causados por roubo; por animal solto; por fogo; em dinheiro dado a guardar e, no caso de ser roubado, o modo de proceder; por perda de animais dados a guardar; e danificação de objetos causados por empréstimo.




(5) – LEIS MORAIS E RELIGIOSAS – Ex 22.18 - 23.19 – A designação “Leis Morais e Religiosas” não deve ser entendida como se as leis anteriores não se relacionassem com a moralidade ou a religião. Pelo contrário, este bloco de material se interessa peculiarmente por problemas relacionados com a moralidade e a ética pessoais, além dos atos religiosos.




Três leis concernentes aos costumes religiosos e à moralidade pessoal são aqui citadas, e em cada caso a sua violação era punida com a pena capital.




(5.1) – A FEITICEIRA – Ex 22.18 – Era aquela que praticava bruxaria e ocultismo, por exemplo, adivinhação, artes mágicas, suposto contato com os mortos. Buscar poder, orientação ou conhecimento do sobrenatural concernente aos mortos ou mediante práticas demoníacas era, e continua sendo, uma abominação para Deus, pois todos os esforços para contatar poderes sobrenaturais através de técnicas mágicas constituem um repúdio à fé bíblica – Lv 19.31; 20.27; Dt 18.9-12; I Sm 28.7-9; Ml 3.5; Gl 5.20-21; Apc 21.9; 22.15.




(5.2) – PROIBIÇÃO DA BESTIALIDADE – Ex 22.19 –Vemos aqui que o V.T. também condena a relação sexual entre uma pessoa e um animal, descrita como bestialidade, prática de um ato bestial – Lv 20.15 e ss).




(5.3) – A PROIBIÇÃO DA APOSTASIA – A frase “será morto” é tradução do verbo hebraico “será excomungado”, isto é, totalmente destruído, totalmente exterminado. Desta forma, os objetos ou pessoas hostis à teocracia israelita eram destruídos.




(6) – RESPONSABILIDADE MORAL E ÉTICA – Ex 22.21-28 – A lei israelita tratava da responsabilidade ética e moral de cada um, especialmente no que se relacionava com os estrangeiros e outras pessoas indefesas, os pobres da terra, bem como da atitude da pessoa para com Deus e seus representantes.




(6.1) – RESPONSABILIDADE PELOS INDEFESOS – Ex 22.21-24 – A comunidade israelita era caracterizada por uma identificação simpática com os desafortunados. Lembrando que outrora haviam experimentado as mesmas condições, os israelitas eram desafiados a reagir em relação aos indefesos com grande consideração.




(6.2) – COMPAIXÃO PELOS POBRES – Ex 22.25-27 – As necessidades humanas eram supridas com um espírito de piedade religiosa que se expressava na disposição de cuidar dos menos afortunados sem recompensa pessoal. Mais tarde, Neemias condenou a comunidade israelita por explorar os irmãos menos afortunados que haviam tomado dinheiro emprestado a fim de pagar os impostos e comprar comida durante o período de fome – Ne 5.3-10.




Embora esta declaração a respeito de juros dificilmente possa servir como princípio permanente nos círculos bancários modernos, ela deve representar o espírito de compaixão com que a comunidade da fé procura ministrar as necessidades dos pobres, dos menos afortunados. A declaração de Deus acerca de si mesmo “Porque sou misericordioso” é fundamento adequado e encorajamento para compaixão como evidência primária da presença de Deus na comunidade.





(6.3) – HONRA A DEUS E A SEUS REPRESENTANTES – Ex 22.28 – Os representantes eram aqueles responsáveis pelas tribos, em especial, quando todo o Israel se reunia. Este versículo se trata não de duas ações separadas, ou seja, injúria a Deus e maldição de um governante; mas, de uma só ação: Repúdio de um representante de Deus, ato que repudiava o próprio Deus. 





III – CONSIDERAÇÕES FINAIS:




Vimos, pois, algumas leis dadas à nação de Israel para reger sua sociedade e seu culto a Deus. Essas leis, que eram principalmente civis em sua natureza, tinham a ver somente com Israel, sua religião e as condições e circunstâncias prevalecentes naquele período. Todavia, os princípios existentes nessas leis – tais como o respeito à vida, apego à justiça e à equidade – são eternamente válidos.


FONTES DE CONSULTA:
BEP – CPAD
Comentário Bíblico Broadman – JUERP
Bíblia DAKE – CPAD
Estudo No Livro de Êxodo – JUERP – Antônio Neves de Mesquita

26 de fev de 2014

1º TRIMESTRE DE 2014 - LIÇÃO Nº 09 - 02.03.2014 - "UM LUGAR DE ADORAÇÃO A DEUS NO DESERTO"

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM ENGENHOCA
NITERÓI - RJ
LIÇÃO Nº 09- DATA: 02/03/2014
TÍTULO: “UM LUGAR DE ADORAÇÃO A DEUS NO DESERTO”
TEXTO ÁUREO – Ex 25.8
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Ex 25.1-9

PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO
e-mail: geluew@yahoo.com.br
blog: http://pastorgeraldocarneirofilho.blogspot.com/






I – INTRODUÇÃO:



Os objetos do Tabernáculo eram figuras do plano de Deus. Além disso, o Tabernáculo havia de ser, em todas as suas partes, um tipo de Cristo (Hb 8:2; 9:11). Assim, a razão de se construir o Tabernáculo é o desejo e o propósito de Deus viver entre o Seu povo (Ex 25:8-9).




II - AS PARTES DO TABERNÁCULO:



(A) - PÁTIO – Estavam O ALTAR DE COBRE para os sacrifícios e A PIA;



(B) - LUGAR SANTO - Estavam A MESA DOS PÃES DA PROPOSIÇÃO, O CASTIÇAL e o ALTAR DE INCENSO; e



(C) - No SANTO DOS SANTOS - Estava A ARCA DO TESTEMUNHO.




III - OS METAIS EXISTENTES NO TABERNÁCULO SEGUINDO A ORDEM DA ENTRADA DO PÁTIO PARA O LUGAR SANTÍSSIMO:



(1) - O BRONZE - Estava presente nas colunas; nas bases das colunas; no altar de holocausto; na pia ou lavatório; nos cravos ou pregos.



O bronze simboliza JULGAMENTO ou JUÍZO SOBRE O PECADO - Ex 27:1; Nm 21:6-9; Jr 1:18; 6:28; I Cor 13:1; II Cor 5:21




(2) - A PRATA - Estava presente em todos os ganchos que ostentavam as cortinas do Tabernáculo; nos capitéis ou faixas que ornamentavam as cortinas; todas as tábuas do estavam apoiadas em bases de prata.



A prata simboliza RESGATE ou REDENÇÃO (Ex 30:11-16; 38:27; I Cor 6:20; I Pe 1:18)




(3) - O OURO - Estava presente nas colunas de ouro que sustentavam o véu do lugar santo, com seus colchetes também de ouro; na mesa dos pães da proposição, no candelabro; no altar de incenso e na arca do Senhor.



O ouro simboliza a glória divina, divindade e a realeza de Cristo.



Um talento de ouro puro era, aproximadamente 42,73 kg. Foi usado ouro na confecção do candelabro e seus diversos utensílios.




IV - AS CORES EXISTENTES NO TABERNÁCULO:



(1) - PÚRPURA = REALEZA - Aponta para o Evangelho de Mateus, que é o Evangelho do Rei. Por isso, Mateus registra a genealogia de Jesus, pois um Rei precisa provar a sua descendência real (Zc 9:9).



(2) - ESCARLATA ou CARMESIM = SACRIFÍCIO – Está relacionado com o Evangelho de Marcos, que aponta para o Servo Sofredor, para o Messias na cruz (Is 42:1). Um servo não precisa de genealogia. Por isso, Marcos não trata da ascendência do Senhor.



(3) - BRANCA = PERFEIÇÃO e JUSTIÇA - No Evangelho de Lucas temos o linho branco apontando para o Homem perfeito, para o caráter justo de Jesus como Filho do Homem. E como todo homem perfeito, ilustre e nobre precisa de uma genealogia; Lucas registra a ascendência de Jesus (Zc 6:12).



(4) - AZUL = O QUE É CELESTIAL EM NATUREZA OU ORIGEM ou INDICA O CÉU, AQUILO QUE É CELESTE - Aponta para o Evangelho de João, que é o Evangelho do Filho de Deus (Is 40:9) - João não registra a genealogia de Jesus, POIS DEUS NÃO TEM GENEALOGIA.




V - SIMBOLISMOS DE CADA PEÇA DO TABERNÁCULO:



(1) - TODO O TABERNÁCULO - Simbolizava A PRESENÇA DE DEUS;



(2) - O PÁTIO ou O ÁTRIO = Limites de aproximação do pecador a Deus



(3) - O LUGAR SANTO = formas de aproximação de Deus



(4) - O SANTO DOS SANTOS = Centro ou coração do Tabernáculo.



(5) - O ALTAR DE COBRE = Remissão; conversão



(6) - A PIA = Purificação; separação do pecado



(7) - MESA DOS PÃES DA PROPOSIÇÃO = Consagração ou comunhão com Deus



(8) - O CASTIÇAL = Testemunho ou servir como testemunha do Senhor



(9) - O ALTAR DE INCENSO = Oração ou adoração



(10) - A ARCA DO TESTEMUNHO = A presença de Deus




VI - AS PEÇAS DO TABERNÁCULO:



(1) - REPOSTEIRO - Ex 26:36-37; 27:16; 35:15, 17; Nm 3:25, 31; 4:25-26 - Uma cortina da entrada que servia de porta para o Tabernáculo. Para se chegar até à presença de Deus e ter comunhão com Ele só há uma Porta e um Caminho (Jo 10:7; 14:6)



(2) - ALTAR DO HOLOCAUSTO ou ALTAR DE BRONZE - Ex 27:1-8; 30:1-9, 34-38; 38:1 - Essa peça, também chamada de o Altar da Transferência, era a maior peça do Tabernáculo e apontava para a cruz de Jesus.



Este altar guardava a porta do Tabernáculo. Lembra-nos que não há maneira de entrarmos em contato com as coisas de Deus sem primeiro aceitarmos o sacrifício de Cristo por nós realizado na cruz do Calvário.



Ainda mais: O fato de achar-se logo à entrada da porta do Tabernáculo ensina que ninguém pode ter acesso a Jeová, a menos que fosse purificado pelo sangue (Ex 27:1-8; 30:28; 38:30; 40:27 cf I Sm 1:50; Sl 118:27).



Havia quatro CHIFRES ou PONTAS DO ALTAR nos ângulos, dirigidos para cima. O chifre no Antigo Testamento sempre é sinal de FORÇA E PODER. Serviam também de REFÚGIO. Um criminoso que pusesse a mão sobre as pontas do altar estava protegido, o vingador não tinha poder para matá-lo. Só depois de julgada sua culpa, era entregue ao castigo - Ex 21:14; Nm 35:33; Dt 19:13 cf I Rs 2:26-34.



No altar do holocausto ardia um fogo contínuo, uma fumaça subia todo o tempo e o sangue era derramado sem interrupção.



O fogo era SÍMBOLO DA CÓLERA DIVINA.



A fumaça era SÍMBOLO DA MANIFESTAÇÃO DA CÓLERA DIVINA



O sangue era SÍMBOLO DE UMA VIDA SACRIFICADA PELO CULPADO



(3) - BACIA DE BRONZE ou PIA DE BRONZE ou LAVATÓRIO DE BRONZE - Ex 30:17-21 – Também chamada de BACIA. Servia de lavatório. Os sacerdotes tinham de lavar ali as mãos e os pés.



Era feita de metal lustroso que tinha servido de espelho às mulheres (Ex 38:8).



É significante que o sacerdote não podia entrar no santuário depois de servir ao altar de bronze até ter lavado as mãos e os pés (Sl 15 cf Ex 30:11-33), ou seja, OS REMIDOS (Ex 30:11-16); OS PURIFICADOS (Ex 30:17-21) e OS UNGIDOS (Ex 30:22-33).



A Pia significa SANTIFICAÇÃO. É também um tipo de Cristo, que é o Purificador de toda contaminação (Jo 13:1-10; Ef 5:25-27 cf Ez 36:25).



Depois de identificado com a morte de Cristo para redenção, o pecador precisa ter contato com a PIA ou BACIA para ser mais santo (Apc 22:11)



(4) - MESA DOS PÃES DA PROPOSIÇÃO ou MESA DA PRESENÇA - Ex 25:23, 30 - Assim como nas moradias humanas há comida, Deus consentiu em haver a mesma coisa na  casa dEle.



Eram designados PÃES DA PROPOSIÇÃO ou PÃES DA PRESENÇA porquanto eram expostos diante da face do Senhor perpetuamente. Também chamados de O PÃO SAGRADO (I Sm 21:6); O PÃO CONTÍNUO, isto é, O PÃO SEMPRE SOBRE A MESA (Nm 4:7; II Cr 2:4).



A palavra PROPOSIÇÃO significa PRESENÇA. Os pães estavam sempre diante do Senhor.



O pão era colocado na mesa, na presença de Jeová, um pão para cada tribo de Israel. Havia assim um reconhecimento contínuo da parte de Israel de que de Jeová vinha o seu pão de cada dia, um símbolo de comunhão e dependência, pois de Deus vinha o sustento diário (Ez 16:19; Os 2:8).



Outro simbolismo da mesa com os pães é A CONSAGRAÇÃO. O dever do crente é viver continuamente na presença de Deus, para consagrar tudo de sua pessoa e de sua vida ao serviço do Senhor. Esta consagração resulta de um melhor entendimento do que Jesus Cristo fez pelos pecadores e uma compreensão melhor da grandeza do amor de Deus. Quem se alimenta de Cristo e de Sua palavra, melhora sua comunhão com o Senhor e progride na consagração. Jesus Cristo é o Pão da vida (Jo 6:35, 41, 48).



(5) - CANDELABRO ou CANDEEIRO ou CASTIÇAL - Ex 25:31, 37; 37:17-24 - No lado esquerdo de quem entrava no santuário estava o candelabro de ouro, feito com ouro batido e pesando mais ou menos, 30 kg. Ele indica a iluminação e a direção do Espírito Santo.



O castiçal é também um tipo de Cristo (Jo 1:9; 3:9; 8:12; At 26:13-15).



Além de sua função prática, o candelabro era símbolo não só da luz de Deus pela qual Israel devia andar, mas do próprio Israel, uma luz no meio de um mundo em trevas, alimentada pelo azeite do Espírito de Deus. Logo, sua significação era testemunho ou luz (At 1:8; Mt 5:14-16), fazendo-nos pensar que a luz que brilha no povo de Deus para iluminação do mundo, brilha, ao mesmo tempo, perante Deus no Seu santuário (Mt 5:14 cf Rm 1:9; II Cor 2:15).



(5.1) - LÂMPADAS - Zc 4:1-6; Apc 1:20; 2:5 - As lâmpadas do candeeiro deviam estar continuamente acesas, isto é, a noite inteira e NÃO DE DIA, como fica claro em Ex 30:8; I Sm 3:3.



Na visão que João teve de Jesus Cristo, Ele estava andando entre as lâmpadas que representam a luz que emana das Igrejas, conservando-as em ordem (Apc 1:12-13)



(5.2) - ESPEVITADEIRAS - Tal como as lâmpadas precisavam de cuidado, especialmente com a renovação dos pavios, os crentes e as Igrejas que eles compõem precisam de uma atenção não menos cuidadosa para que a luz de Cristo continue brilhando neste mundo de trevas pelo enchimento do Espírito Santo (Mt 5:14-16; Apc 2:5 cf Rm 15:14; Cl 1:28; I Ts 5:19)



(6) - ALTAR DO INCENSO - Ex 30:1-9 - Representando as nossas orações e a nossa adoração. Ele ficava diante do terceiro véu porque nossas orações são dirigidas à presença de Deus.



O Altar de Ouro ou de Incenso não estava no Santo dos santos, mas era lá que o perfume do incenso entrava, assim como a oração é feita na terra, mas se dirige aos céus.



O incenso é símbolo de constante adoração do povo e de nossas orações (Ex 40:5; I Rs 6:22; Sl 141:2; Apc 5:8; 8:3)



Além de ser aplicado a nós, o altar de incenso é tipo de Jesus Cristo, nosso Mediador (Jo 17:9-21; Rm 8:34; Hb 7:25; Lc 22:31-32)



(7) - O VÉU - Ex 26:31-36 - A tenda era pequena, se comparada a qualquer templo moderno. Além disso, não possuía aberturas para ventilação e era escura, a não ser a existência da luz do candelabro de ouro e a pouca luz que, incidentalmente, ali penetrava, quando o reposteiro (que ficava sobre a porta da tenda), era levantado para permitir a entrada dos sacerdotes.



A sombra de Jeová é mencionada como símbolo de refrigério e salvação e sua extrema escuridão, a partir do Sinai, passou a ser um símbolo apropriado para Deus (Sl 17:8, 57:1; 63:7; 91:1; 121:5; Is 51:15-16; I Rs 8:12).



(7) - A ARCA DA ALIANÇA ou A ARCA DO TESTEMUNHO ou A ARCA DO CONCERTO - Ex 25:6 – Era uma caixa feita de madeira de acácia e coberta de ouro com uma tampa chamada PROPICIATÓRIO ou lugar de encontro com Deus e o Seu povo.



Colocada dentro do Santos dos Santos, ela representa a base do trono de Deus, pois sobre ficava o propiciatório com os querubins da glória.



A arca foi a primeira coisa a ser mencionada por Deus, quando ordenou a Moisés a construção do Tabernáculo (Ex 25:10). Assim, Deus, quando traçou o plano do Tabernáculo, começou com Ele mesmo. Como o homem não podia entrar na presença de Deus, Deus mesmo vinha ao encontro do homem no altar de bronze. Assim, a Arca tipificava a presença de Deus com o Seu povo (Ex 25:22).



A arca continha (Hb 9:4):



(A) - As tábuas da lei (Ex 25:16) - Representavam a vontade de Deus para com o Seu povo (Jr 31:33).



Podemos dizer também que era  uma figura de Cristo, o qual podia dizer como o salmista (Sl 119:11, 44, 93, 98, 105)



(B) - O maná colocado num vaso dentro da arca – Indicava a provisão de Deus para o Seu povo (Ex 16:14-15, 32-36; Jo 6:58; Apc 2:17).



O vaso de maná era o memorial da fidelidade do Senhor em prover o necessário para todas as necessidades dos Seus remidos que peregrinam através do deserto.



(C) - A vara de Arão que floresceu - Era um sinal para os filhos rebeldes para acabar com as murmurações.  Era também um sinal de soberania de Deus, que escolheu Arão e seus filhos para o sacerdócio.



(8) - O PROPICIATÓRIO - Ex 25:17-25 - Era de ouro puro e estava em cima da Arca, formando um conjunto, apresentando a forma dum só objeto.



Representa o trono de Deus (Is 6:2). Era um trono de misericórdia, pois a palavra PROPICIATÓRIO significa ONDE DEUS NOS É PROPÍCIO, NOS É FAVORÁVEL (I Jo 2:2). O lugar do perdão de Deus, que aponta para Cristo (Rm 3:21-25)



Nas duas extremidades da tampa ou propiciatório havia figuras de querubins feitas em ouro, símbolo do poder de Deus (Gn 3:24).



Nos querubins resplandecia o fogo da glória de Deus, fazendo sombra sobre o propiciatório. Deus habitava entre os querubins (Hb 9:5). Ora, se os querubins faziam sombra sobre o propiciatório, é porque estava sobre eles O SHEKINÁ ou FOGO TERRÍVEL, FOGO DE DEUS, que neles resplandecia.



Cristo é o nosso propiciatório onde podemos encontrar com Deus e ter comunhão com Ele, achando misericórdia e graça (Rm 3:23-25; I Jo 2:1-2 cf Hb 4:16).




VII - CONSIDERAÇÕES FINAIS:



Por meio deste estudo, podemos vislumbrar diversos ensinamentos que Deus nos dá através da figura do Tabernáculo. Vejamos:


(1º) - O pecador incrédulo, para chegar a Deus, passa pelo...



(A) - ALTAR DE COBRE = O SACRIFÍCIO DO CALVÁRIO;



(B) - Chega-se à PIA = PARA SE SANTIFICAR NA PALAVRA DE DEUS (Jo 17:17);



(C) - Vai à MESA DOS PÃES DA PROPOSIÇÃO = RECONHECENDO CRISTO COMO O PÃO DA VIDA para fortalecer a sua alma (Jo 6:48, 58);



(D) - Identifica-se com O CASTIÇAL = JESUS CRISTO A LUZ DO MUNDO, para dar, com o auxílio do Espírito Santo, o testemunho de crente perante o mundo;



(E) - Vai ao ALTAR DE INCENSO fazer suas orações em nome de Jesus Cristo; e



(F) - Fica diante DA ARCA DO TESTEMUNHO = RECONHECENDO A PRESENÇA DE DEUS EM SUA VIDA e alegrando-se com isto.



(2º) – Já o crente espiritual, que compreende os privilégios da graça de Deus, percorre o caminho em outra direção: Começa...



(A) – Na ARCA DO TESTEMUNHO, certo de que Deus está com ele;



(B) - Para no ALTAR DE INCENSO, intercedendo pelos outros;



(C) - Brilha na vida como CASTIÇAL (Jesus Cristo presente em sua vida e cheio do Espírito Santo);



(D) - Alegra-se na MESA DOS PÃES DA PROPOSIÇÃO ou DA COMUNHÃO COM OS IRMÃOS;



(E) - Santifica-se cada dia na PIA = DAS ESCRITURAS SAGRADAS; e


(F) - Agradece a Deus a obra redentora DO ALTAR DE COBRE = CRISTO NA CRUZ.