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29 de mai de 2013

2º TRIMESTRE DE 2013 - LIÇÃO Nº 09 - 02/06/2013 - "A FAMÍLIA E A SEXUALIDADE"

IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLÉIA DE 

DEUS EM ENGENHOCA

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL                                             

AULA DO DIA 02/06/2013 – LIÇÃO Nº 09

TÍTULO: “A FAMÍLIA E A SEXUALIDADE”

TEXTO ÁUREO:  Gn 1.27    

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: I Ts 4.3-5; 5.23; I Pe 1.14-16

PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO

Email: geluew@yahoo.com.br



I - INTRODUÇÃO:


Uma das verdadeiras tragédias da história do Cristianismo tem sido o divórcio entre a sexualidade e a espiritualidade. Esse fato é tanto mais lamentável por a Bíblia apresentar um conceito de tão alta celebração da sexualidade humana. Examinemos algu­mas janelas bíblicas que se abrem para esse importante e espiritual assunto.


II - HOMEM E MULHER:


No primeiro capítulo do livro de Gênesis, temos um comentá­rio breve, e, contudo magnífico, acerca do significado da sexua­lidade humana.


A narrativa se abre com a majestade do ato de Deus que trouxe à vida o universo, mediante o verbo criador. E esse universo que Ele criou é bom, muito bom.


(Por favor, en­tendamos uma coisa de uma vez por todas: o mundo material é muito bom e não deve ser desprezado).


Os seres humanos são o ápice da criação divina. Com lingua­gem simples, porém nobre, a Bíblia nos diz que a criação huma­na é separada de todas as outras, pois é feita à ima­gem de Deus.


Observemos quão intimamente relacionada está a nossa sexualidade à imagem de Deus:


"Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; HOMEM E MULHER OS CRIOU" (Gn 1:27).


Embora possa parecer estranho, nossa sexualidade — masculinidade e feminilidade - está de alguma forma relacionada à nossa criação à imagem de Deus. Ela não é apenas uma organização acidental da espécie hu­mana ou apenas uma forma conveniente de manter a continuidade da da raça humana. Não! Ela está no coração da nossa verdadeira humanidade. Existimos como homem e mulher em rela­cionamento. Nossos impulsos sexuais, nossa capacidade de amar e sermos amados, estão intimamente relacionados ao fato de termos sido criados à imagem de Deus. Que alto conceito da sexualidade humana!


Observemos também que a ênfase dada pela Bíblia ao relaciona­mento ajuda-nos a ampliar nossa compreensão da sexualidade humana.


O problema com as casas de massagem e a literatura pornográfica reside no fato de não enfatizarem suficientemente a sexualidade. Elas eliminam totalmente o relacionamento e restringem a sexualidade às limitadas fronteiras dos órgãos genitais, tornando, desta forma, o sexo corriqueiro.


Como é mais rica e mais plena a perspectiva bíblica!


Aquela conversa enquanto se toma um cafezinho, discutir-se um livro maravilhoso, observar juntos um por-de-sol — isso é sexualida­de no seu melhor sentido, pois homem e mulher estão em um relacionamento íntimo. Não há dúvida que o sexo genital faz par­te do total desse quadro, mas a sexualidade humana é uma realidade muito maior do que o simples ato sexual.



III - NUS E NÃO ENVERGONHADOS:


Deus falou e toda a criação passou a existir, com exceção dos seres humanos. Para criar Adão, Ele tomou o pó da terra e as­soprou vida em suas narinas (Gn 2:7). E essa união do pó da terra com o fôlego divino dá-nos uma das melhores descrições da natureza humana.


Deus não criou Eva por meio de uma sim­ples palavra, como se ela fosse parte de uma realidade não hu­mana; tampouco soprou no pó como se ela fosse uma criação não relacionada ao homem.


Deus usou a costela de Adão para sublinhar sua interdependência — "osso dos meus ossos e carne da minha carne", conforme Adão expressou.


Os dois, entreteci­dos, interdependentes, entrelaçados, sem nenhuma rivalidade feroz, sem nenhuma superioridade hierárquica de um sobre o outro, sem nenhuma autonomia independente. Que lindo quadro!


A seguir, é-nos dada a confissão de um pacto de fidelidade que estabelece o padrão para o casamento amadurecido:


"Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne" (Gn 2:24).


Esta é realmente uma de­claração extraordinária.


Dada a intensidade da cultura patriar­cal, é genuinamente fenomenal o fato de um autor bíblico falar em o homem "deixar" e "unir-se".


A seguir, a Bíblia descreve sua união como sendo uma realidade de "uma só carne", uma frase à qual Jesus empresta profundidade e riqueza em Seu ensinamento.


Por fim, a cena chega ao final com o mais revigorante comen­tário de todos:


"Ora, um e outro, o homem e sua mulher, esta­vam nus, e não se envergonhavam" (Gn 2:25).


Temos aqui um quadro maravilhoso de um par cuja sexualidade estava integrada no todo de suas vidas.


Não havia vergonha porque havia inteire­za. Havia uma unidade orgânica em seu íntimo, e com o restante da criação. Nus e não envergonhados — uma cena magnífica.


Podemos perceber, então, que o erotismo não contaminado pela vergo­nha existia antes da queda. A queda não criou o AMOR EROS (***); apenas o perverteu.


(***) O AMOR “EROS” - Este tipo de amor é aplicado à relação entre um homem e uma mulher, na perspectiva conjugal. O amor EROS é o amor físico e sensual, necessário para as relações do casamento.


Na história da criação vemos o homem e a mulher atraídos um para o outro, nus e não envergonhados. Sabem que sua masculinidade e feminilidade são obra das mãos de Deus, assim como o afeto apaixonado de um pelo outro. Também suas diferenças os unem: são homem e mulher, mas são também uma só carne. Os dois num relacionamento, em amor! Por que deveria estar presente a vergonha? Nossa sexualidade é cria­ção de Deus.


IV - CELEBRAÇÃO DO AMOR:


Se o Gênesis afirma nossa sexualidade, o livro de Cantares de Salomão a celebra.


O teólogo Karl Barth disse que o livro de Cantares é um comentário ampliado de Gênesis 2:25:


"Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus, e não se envergonhavam."


E não deixa de ser!


Nada mais há em nossa Bíblia que se compare à suntuosa celebração da sexualidade humana que encontramos ali. O simples fato de encontrar-se ela na Escritura é um elegan­te testemunho da recusa hebraica em trinchar a vida, separando-a em coisas sacras e coisas seculares.


Cantares de Salomão nos oferece uma linda  visão de como o amor eros deve ser!


Vemos ali sensualidade sem licenciosidade, pai­xão sem promiscuidade, amor sem lascívia.


O livro apresenta a sexualidade humana de forma bela, santa e pura. Encontramos ali o ideal de Deus para a sexualidade humana.


O livro de Cantares de Salomão também apresenta alguns princípios para que os casais sejam felizes em sua sexualidade. Vejamos alguns deles:


(1) – A INTENSIDADE DO AMOR – Ct 2.5 - O poeta não mede esfor­ços, empilhando superlativo sobre superlativo, para mostrar a extravagância do amor do casal.


Em outro lugar, o poeta descreve a mulher no leito, anelando por seu amado. Ela levanta-se no meio da noite e percorre as ruas desertas, em busca de "o amado da minha alma" (Ct 3:2). Chega mesmo a importunar os guardas, implorando-lhes que lhe digam onde se encontra o seu amado.


Finalmente, "encon­trei logo o amado da minha alma; agarrei-me a ele e não o dei­xei ir embora" (Ct 3:4), uma linda abertura para a intensidade do amor.


Verdadeiramente, temos aqui o amor eros livre de vergonha.


(2) – O CONTROLE DO AMOR – Cantares de Salomão não nos apresenta nenhuma rude orgia, nem apalpação ou manipulação desajeitadas e grosseiras. O amor é elevado demais, o sexo é profundo demais para esse tipo de malícia e lascívia.


No capítulo 8, a sulamita recorda-se do que seus irmãos diziam sobre ela quando era criança:


"Temos uma irmãzinha, que ainda não tem seios." (Isto é, ainda não tem maturidade). Que fare­mos a esta nossa irmã, no dia em que for pedida? Se ela for um muro, edificaremos sobre ela uma torre de prata; se for uma por­ta, cercá-la-emos com tábuas de cedro" (Ct 8:8-9).


Em suma, os ir­mãos perguntam protetoramente:


- "Era nossa irmã um muro? Manteve-se pura? Manteve sob controle suas paixões eróti­cas, preservando-se para aquele que seria seu permanente e leal amante? Ou foi uma porta? Foi violada por amantes temporários?".


Plenamente amadurecida, a mulher alegremente anuncia ao amado:


"Eu sou um muro, e os meus seios como as suas torres" - Ct 8:10.


Ou seja, ela não se havia deixado dominar por paixões descontro­ladas.


O homem, do mesmo modo, conhecia as lições do controle.


No capítulo 6 ele recorda as numerosas oportunidades que po­deria ter tido para demonstrar sua capacidade sexual.


Em lin­guagem que talvez seja, de certa forma, uma hipérbole hebraica, ele menciona sessenta rainhas, oitenta concubinas, e "virgens sem número" que poderia ter possuído, e, contudo, disse não a todas elas, pois "não há mulher igual a você" (Ct 6:8, 9 — A Bíblia Viva).


O amor em Cantares de Salomão é moderado também por re­cusar-se a ser precipitado. Isso é captado muito bem pelo coro que se faz presente em todo o decorrer da narrativa:


"Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém... que não acordeis nem desperteis o amor, até que este o queira" (Ct 3:5; 5:8; 8:4).


E, se era importante para o antigo Israel ouvir esse conselho em favor da paciência e do controle, quão mais importante para a nossa sociedade, que toma até mesmo crianças e as transformam em símbolos sexuais!


Que linda combinação — essa intensidade e controle!


A pai­xão erótica é celebrada, mas tem ela um caráter exclusivista.


Ne­nhuma passagem ilustra melhor esse ponto do que a da cena das bodas:


O homem descreve a futura esposa como "jardim fecha­do, fonte selada" (Ct 4:12).


Ela disse não ao sexo esporádico; man­teve fechado o seu jardim.


Mas então chegamos à noite de núp­cias, quando a mulher exclama:


"Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que se derra­mem os seus aromas. Ah! venha o meu amado para o seu jar­dim, e coma os seus frutos excelentes!" (Ct 4:16).   


Estão presentes aí a intensidade do amor e o controle do amor.


(3) – A MUTUALIDADE DO AMOR - Em parte alguma desse livro encontra-se a história tediosa do homem agindo e a mulher recebendo a ação — é bem o oposto! Ambos estão intensamente envolvidos; ambos são iniciadores; ambos são recipientes. É como se a maldição do domínio do homem que resultou da queda tivesse sido sobrepujada pela graça de Deus.


Até mesmo a estrutura literária do livro enfatiza o fato de o amor ser recíproco: O homem fala; a mulher fala; o coro canta o refrão. Existe diálogo franco. A mulher é aberta e desinibida ao expressar seu amor e sua paixão:


"O meu amado é para mim um saquitel de mirra, posto entre os meus seios", "O meu ama­do é semelhante ao gamo, ou ao filho da gazela" (Ct 1:13; 2:9).


Gênesis nos fala apenas da atração que Adão sentiu por Eva, mas a ênfase em Cantares de Salomão é dada à atração mútua dos dois cônjuges. Ambos estão constantemente dando e recebendo no ato de amor, qual seja: a mutualidade do amor.


(4) – A PERMANÊNCIA DO AMOR - Nada de promiscuidade aqui, nada de fuga quando as contas e o tédio surgem. No final de Cantares, a mulher brada:


“Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, são veementes labaredas. As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado” (Ct 8:6-7).


O amor deles é contínuo e forte. Ele transcende o calor e a frieza das flutuações da paixão erótica. É tão forte quanto a morte; não pode ser comprado a preço algum.


De fato, essas palavras de fidelidade e permanência nos trazem à mente o hino do amor do apóstolo Paulo, registrado em l Coríntios 13 — "O amor jamais acaba".


Como é significativa essa palavra que nos fala da permanên­cia do amor!


(5) – DEDICAÇÃO DE TEMPO – Ct 1.7-8 - Para que os casais experimentem alegria nessa área da vida é preciso, como recomenda Salomão, dedicar tempo um ao outro.

O texto descreve o desejo ardente de a jovem encontrar-se com seu amado. Não podia esperar até tarde. Desejava saber onde ele se encontrava para ir e estar com ele.


Muitos estão frustrados na relação conjugal porque não dedicam tempo ao amor romântico. A Sulamita ensina àqueles que desejam viver em um casamento de sucesso que é preciso desejar ardentemente estar com o outro. É na dedicação de tempo que o casamento é fortalecido e cria-se a intimidade tão importante para o casal.


(6) – ELOGIO – Ct 1.9; 2.9; 4.1-5 – Quando lemos Cantares de Salomão, algumas comparações podem soar como sendo bem estranhas para nós que vivemos numa cidade grande ou em numa sociedade ocidental.


Temos sempre que lembrar de dois princípios fundamentais:





(A) - A maioria das comparações são de fundo emocional; e


(B) – São figuras enaltecedoras para aquela época.


A maneira mais adequada, para aquela época, de elogiar a mulher que amava, era recorrer a essas figuras que lhe causavam admiração. Com isto, Salomão lembra que fazer elogio ao cônjuge faz bem para a relação e enriquece a sexualidade conjugal.


(7) – ROMANTISMO – Ct 5.9 – É essencial para um casal ser feliz no casamento.


A grande reclamação das mulheres é que os homens são românticos até à data do casamento. Depois, sofrem de amnésia de palavras e atos românticos.


A mulher carece de palavras e de atos românticos por parte do esposo. Para tanto, os maridos devem aprender a ser românticos para que mantenham a chama do amor.


(8) – CUIDADO – Ct 2.5 – Esta expressão deseja ensinar aos casais que para manterem o casamento viçoso é preciso estar sempre eliminando aquelas pequenas coisas que prejudicam a relação. São aquelas pequenas ervas daninhas que tiram a força do casamento, e com o tempo podem matar de vez o amor conjugal.


(9) – TOQUES – Ct 1.1; 8.3 – Várias vezes Cantares de Salomão descreve os toques físicos como ingrediente importante para a relação conjugal. Daí a importância do contato físico que deve haver num casamento. Andar de mãos dadas, abraços e beijos são importantes para um casal cultivar um casamento feliz.


(10) – COMPROMISSO PÚBLICO E PRIVACIDADE – Ct 8.1-3 – No relacionamento conjugal, é preciso haver um equilíbrio entre o compromisso público e a privacidade.


O amor puro entre o casal era conhecido publicamente, mas a troca de carícias era algo que se dava na intimidade conjugal.


Um casal que teme a Deus deve aprender estas duas verdades:


(A) – Deve demonstrar para a sociedade que existe amor genuíno, amor aprovado por Deus; mas


(B) – Deve resguardar para a intimidade da vida a dois as demonstrações mais intimas desse amor. Isto se chama pudor.


V - CONSIDERAÇÕES FINAIS:


Amor e sexo, quando vividos no contexto de uma relação conjugal aprovada pelos princípios bíblicos, ambos são divinos, belos, puros, santos e proporcionam prazer tanto ao homem como à mulher (Ct 8.7).


Não há pecado nenhum nesse tipo de relação. Por ser tão puro, belo, santo e prazeroso, devemos estudar mais ainda os livros poéticos e aplicá-los à vida conjugal e ensinar aos casais e futuros casais que não será preciso fugir dos parâmetros traçados por Deus para experimentarem prazer nessa área tão importante da vida humana.


"Limitar a sexualidade à função biológica da reprodução, considerando essa função mais importante que a relação entre os cônjuges, é esvaziá-lo de seu sentido pessoal; é colocar o casal humano no mesmo nível dos animais" - C. René Padilla




FONTES DE CONSULTA:

Dinheiro, Sexo e Poder - Rochard J. Foster - Editora Mundo Cristão

A Família na Bíblia - Ministério Oikos - Gilson Bifano